A importância desse trabalho alem da contribuição cultural é sem duvidas a de esclarecer alguns pontos das cantigas do Tambor de Crioula que as vezes podem passar despercebidos, interferindo no sentido da letra. As criticas para esse trabalho são as melhores possíveis, desde os autores utilizados até a metodologia de pesquisa.
O Tambor de Crioula
Tambor
de Crioula no Maranhão é uma manifestação cultural através da dança e do toque
de tambores, praticados prioritariamente por negros. É dança de umbigada
semelhante a outras do mesmo gênero existentes no país, daí ser conhecida também
como Punga[1].
No Maranhão o tambor de crioula possui características específicas, além de ser
uma dança geralmente de caráter profano, ou seja, praticada por diversão, e só
aqui é conhecido com este nome. O Tambor possui também conotações religiosas.
O Tambor de Crioula foi identificado
e descrito por pesquisadores como “uma referência significativa no conjunto das
manifestações culturais locais”, contribuindo para a formação do patrimônio e
da identidade cultural negra e afro-brasileira da região abrangida pela Ilha de
São Luís. Na ficha de identificação junto ao Instituto do Patrimônio Histórico
e Artístico Nacional - IPHAN, encontra-se transcrito o conteúdo que segue:
“É uma dança marcada por fortes traços
africanos, na qual uma roda de mulheres baila diante da parelha de três
tambores (grande, meião e crivador) tocados por homens. O canto é tirado pelo
solo, como uma toada, e acompanhado pelo coro formado pelo resto do grupo. Na
coreografia, destaca-se a punga, umbigada que as mulheres dão uma na outra,
antes de sair da roda, seguindo o ritmo dado pelo tambor, que é uma constante
em inúmeras danças de origem africana. Essas dançantes, também chamadas
coureiras, vestem saias rodadas muito coloridas e blusas de cores fortes; a
cabeça enfeitada por flores, colares e outros adornos. Os homens usam camisas
coloridas e chapéus de palha. Embora Domingos Vieira Filho considere que não há
nenhum elemento ritual nesta dança, caracterizada pela espontaneidade do
simples gingado diante de um tambor, pode-se destacar seu aspecto religioso,
expresso no louvor a São Benedito e na demanda às apresentações em outras datas
do calendário litúrgico popular, como o São João ou os pagamento de promessa.”
(IPHAN, 2005, p.9 In FERRETTI, “Mario de Andrade e o Tambor de Crioula no
Maranhão)
Ressalvemos, nessa descrição
sumária, os aspectos ponderados como algo que merece destaque dentro das
apresentações: os elementos coreográficos (a dança, as vestimentas), poéticos
(as toadas), musicais (os tambores), a dimensão religiosa (pagamento de
promessas, o louvor a São Benedito, as apresentações em terreiros e em festa
religiosas como a Festa do Divino Espírito Santo) e a relação estreita com os
grupos étnicos afro-brasileiros (fortes traços africanos), os membros que
participam da dança geralmente são negros e de classe subalterna. Dessa forma
destacam-se as extensões presentes que ganhariam destaque nas etapas
subseqüentes do processo de pesquisa. No que se refere às cantigas,
utilizaremos no presente trabalho conceitos de língua de especialidade
trabalhados por Manuel Célio da Conceição, para tratarmos da produção das
toadas em questão, além de trabalharmos com autores que descrevem a
manifestação cultural Tambor de Crioula, a saber, Sérgio Ferretti e Mundicarmo
Ferretti. O conceito de cultura popular a que este trabalho faz menção foi
retirado de José Luis dos Santos.
Ressaltamos ainda que as expressões
e palavras utilizadas em nosso trabalho são integrantes, em sua maioria, do
léxico do Tambor de Crioula. Assim, tomamos por hipótese de que boa parte dos
termos explanados serão facilmente encontrados e reconhecidos nos diversos
grupos de Tambor da capital. Infelizmente, por estarmos num período
entrefestas, não foi possível realizarmos pesquisa de campo, tão fundamental à
etnografia, mas nos propomos a analisar o material colhido junto à coletânea “O
calor do Tambor de Crioula no Maranhão dá o tom à cultura popular”, composta
por três cd's contendo toadas de Mestre Felipe, Mestre Leonardo e Mestre Chico,
além de um encarte com as canções e um documentãrio em vídeo.
Destacamos, por fim, a hipótese de
que tais termos podem ser oriundos de uma fusão da língua portuguesa com as
lexias das línguas africanas, tomadas dos primeiros escravos que aqui aportaram
e transmitidas desde então por séculos através da oralidade e da tradição das
manifestações culturas afro, ainda que estas tenham sofrido certa repreensão
das autoridades em determinadas épocas no decorrer do tempo.
Dessa forma, ao trilhar por caminhos
supostamente tão diferentes, o aluno se propõe a realizar justamente a
integração entre a vertente popular e o campo acadêmico, aliando o material
colhido junto ao povo, em sua mais pura forma de manifestação cultural, à
proposta de criação de um trabalho que visa integrar o popular ao erudito, de
um modo que todo o material será preservado, para que, dessa forma, possamos
manter para as gerações vindouras as tradições do passado do povo maranhense.

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